Este espaço é reservado para esclarecer as dúvidas mais freqüentes dos internautas que visitam o site.

PERGUNTAS DOS INTERNAUTAS

 


PERGUNTA (01) :

Gostaria que vocês me explicassem o que Paulo quer dizer em Colossenses 2:16 e 17: "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo." Gilcimar.

       Com toda certeza, Colossenses 2:16 e 17 se constitui um dos textos mais freqüentemente citados na argumentação contra a observância do sábado. No entanto, embora à primeira vista essa passagem pareça servir de suporte para a tese anti-sabatista, essa não era a intenção original de seu autor, como se demonstrará a seguir. Além disso, se a interpretação geralmente fornecida pelos opositores do sábado a esses versos é verdadeira, então a própria guarda do domingo estará comprometida, pois o texto é abrangente, incluindo qualquer dia: "dia de festa, lua nova...".

       Antes de qualquer coisa, seria proveitoso atentar para a advertência do apóstolo Pedro quanto aos escritos de Paulo: "E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles." 2 Pedro 3:15 e 16. Já naquela época, percebia Pedro a existência de textos difíceis nas cartas de seu colega de ministério, o que deve servir de aviso para todos aqueles que pretendam se estribar em alguma de suas epístolas a fim de contrariar outros claros ensinos escriturísticos. Por outro lado, isso não quer dizer que haja equívocos doutrinários nos escritos de Paulo. O que ocorre muitas vezes é que os textos paulinos aparentam dizer uma coisa, embora, na verdade, o pensamento do autor fosse completamente diferente.

 

A Posição De Paulo Quanto Ao Sábado:

       A primeira coisa que o leitor deve investigar, ao se deparar com Colossenses 2:16 e 17, é a atitude de Paulo quanto ao sétimo dia. As Escrituras evidenciam claramente que esse não era um dia comum para o "apóstolo dos gentios". Em várias partes do livro de Atos, Paulo é encontrado numa sinagoga no dia de sábado: "Mas eles, atravessando de Perge para a Antioquia da Pisídia, indo num sábado à sinagoga, assentaram-se... Ao saírem eles, rogaram-lhes que, no sábado seguinte, lhes falassem estas mesmas palavras... No sábado seguinte, afluiu quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus." Atos 13:14, 42 e 44. "Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras" Atos 17:2. Porém, dentre as várias passagens encontradas no livro dos Atos dos Apóstolos, 2 se destacam: Atos 16:13 e 18:1-4. Na primeira citação, Paulo, mesmo estando em Filipos, cidade em que provavelmente não havia sinagoga, não deixou de reverenciar a santidade do Sábado; antes, retirou-se para junto de um rio, para desfrutar daquelas horas sagradas: "No sábado, saímos da cidade para junto do rio, onde nos pareceu haver um lugar de oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que para ali tinham concorrido.". O outro texto apresenta o apóstolo na cidade de Corinto, em que por 1 ano e 6 meses, trabalhou fazendo tendas. O fato de se dedicar a uma atividade não religiosa é um grande auxílio para se identificar o dia em que ele repousava: "Depois disto, deixando Paulo Atenas, partiu para Corinto. Lá, encontrou certo judeu chamado Áqüila, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua mulher, em vista de ter Cláudio decretado que todos os judeus se retirassem de Roma. Paulo aproximou-se deles. E, posto que eram do mesmo ofício, passou a morar com eles e ali trabalhava, pois a profissão deles era fazer tendas. E todos os sábados discorria na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos.". Diante dessas evidências, torna-se impossível concluir que Paulo não tivesse nenhum respeito pelo dia do Senhor.

 

Figura De Linguagem :

       Então, qual era sua real intenção ao escrever Colossenses 2:16 e 17? Embora o contexto da declaração possua muitos detalhes dignos de uma análise mais pormenorizada, o mais importante, por ora, é compreender a referência ao santo Sábado. Na verdade, o que ocorre, nesse texto, é uma figura de linguagem denominada de "metonímia". Mas, o que vem a ser a metonímia? E o que é uma figura de linguagem?

       Figura de Linguagem é um fenômeno literário em que uma palavra (ou um conjunto de palavras) tem seu sentido básico alterado em virtude do contexto em que está inserida.

 

EXEMPLOS DE FIGURAS DE LINGUAGEM

METÁFORA

       A metáfora, por exemplo, ocorre sempre em que uma coisa é equiparada a outra sem que os termos usuais de uma comparação sejam empregados. Em outras palavras, trata-se de uma comparação direta.

Exemplo de Comparação: Ela é tão bonita quanto uma flor.

Exemplo de Metáfora: Ela é uma flor.

HIPÉRBOLE

       A hipérbole, outra figura de linguagem, pode ser definida como um exagero, cujo objetivo é o de dar ênfase.

Exemplo de hipérbole: Já lhe expliquei isso mil vezes!

METONÍMIA OU SINÉDOQUE

       Mas é a metonímia, também chamada de sinédoque, que realmente importa para o entendimento de Colossenses 2:16 e 17. Trata-se do uso do "todo" pela "parte", ou vice-versa; bem como do "conteúdo" pelo "continente", ou vice-versa; ou ainda da "causa" pelo "efeito", ou vice-versa.

Exemplo 1: Naquela fazenda, há 1.000 cabeças de gado.

Exemplo 2: Eu só queria um teto onde eu pudesse viver.

Exemplo 3: "quando é lido Moisés" 2 Coríntios 3:15. Ora, Moisés é uma pessoa e, como tal, não pode ser lido. Não obstante, como foi ele quem escreveu o Pentateuco, por sinédoque, pode-se dizer assim: "quando é lido Moisés". Em outras palavras, o autor é tomado pela obra. Outros exemplos: Lucas 24:27 e Atos 15:21.

       Entender o que seja a metonímia será de grande valia para se encontrar uma solução para o problema. Antes, contudo, que se possa aplicar tal conceito a Colossenses 2:16, faz-se necessário também descobrir a origem da locução empregada por Paulo, o que será feito a seguir.

 

Estudando a Expressão "Dia de Festa, Lua Nova e Sábados":

       O que os autores evangélicos desconsideram é que a expressão "dia de festa, lua nova ou sábados" não foi cunhada por Paulo. Sua raiz se encontra em Números 28 e 29. Ali são apresentadas as ofertas especiais dos dias santos, isto é, dos sábados, das luas novas e das festas, além do contínuo holocausto, que, de ordinário, era oferecido todos os dias. É interessante perceber a existência de uma progressão cronológica na exposição dos sacrifícios peculiares de cada celebração: sacrifícios dos sábados - semanais (28:9 e 10), das luas novas - mensais (28:11-15) e das festas - anuais (28:16-29:40). Assim, o assunto predominante de Números 28 e 29 não é o da obrigatoriedade do descanso nos dias festivos; seu objetivo principal é estipular quais e quantos animais deveriam ser sacrificados nessas ocasiões.

       Foi do livro de Números que os demais escritores bíblicos se serviram para usar, posteriormente, a expressão encontrada em Colossenses 2:16. Em todas elas, sem nenhuma exceção, o assunto está relacionado não com a guarda desses dias em si, mas com os sacrifícios que neles eram oferecidos. Isso pode ser mais claramente percebido nas seguintes passagens:

       "E para cada oferecimento dos holocaustos do SENHOR, nos sábados, nas Festas da Lua Nova e nas festas fixas, perante o SENHOR, segundo o número determinado." 1 Crônicas 23:31.

       "Eis que estou para edificar a casa ao nome do SENHOR, meu Deus, e lha consagrar, para queimar perante Ele incenso aromático, e Lhe apresentar o pão contínuo da proposição e os holocaustos da manhã e da tarde, nos sábados, nas Festas da Lua Nova e nas festividades do SENHOR, nosso Deus; o que é obrigação perpétua para Israel." 2 Crônicas 2:4.

       "Então, Salomão ofereceu holocaustos ao SENHOR, sobre o altar que tinha edificado ao SENHOR diante do pórtico; e isto segundo o dever de cada dia, conforme o preceito de Moisés, nos sábados, nas Festas da Lua Nova, e nas festas fixas, três vezes no ano: na Festa dos Pães Asmos, na Festa das Semanas e na Festa dos Tabernáculos." 2 Crônicas 8:12 e 13. Essa passagem é relevante porque demonstra que a expressão "dia de festa, lua nova e sábados" está sendo usada em virtude do preceito de Moisés, uma alusão indiscutível a Números 28 e 29.

       "A contribuição que fazia o rei da sua própria fazenda era destinada para os holocaustos, para os da manhã e os da tarde e para os holocaustos dos sábados, das Festas da Lua Nova e das festas fixas, como está escrito na Lei do SENHOR." 2 Crônicas 31:3. Nesse texto, também há uma nítida referência a Números 28 e 29.

       "Celebraram a Festa dos Tabernáculos, como está escrito, e ofereceram holocaustos diários, segundo o número ordenado para cada dia; e, depois disto, o holocausto contínuo e os sacrifícios das Festas da Lua Nova e de todas as festas fixas do SENHOR, como também os dos que traziam ofertas voluntárias ao SENHOR." Esdras 3:4 e 5. Nesse texto, o sábado é omitido, mas a idéia básica permanece inalterada: as festas da lua nova e as demais festividades de Israel são mencionadas em virtude dos sacrifícios especiais nelas oferecidos e não por causa da cessação do labor secular nesses ocasiões.

       "Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para Mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a Minha alma as aborrece; já Me são pesadas; estou cansado de as sofrer." Isaías 1:13 e 14. Nessa passagem, a expressão não ocorre na sua forma usual, mas fica claro que Deus estava abominando suas festas por causa da hipocrisia dos judeus que, mesmo vivendo em pecado, ajuntavam-se para assistir aos sacrifícios especiais que eram realizados nos dias santos.

       Ver também Ezequiel 46:1, 3, 4, 6, 9, 11 e 12, onde a locução também aparece, porém com maior distância entre os termos. Em todos esses casos, percebe-se que a expressão "dia de festa, lua nova e sábados" (quer esteja na ordem crescente, quer esteja na ordem decrescente) refere-se, não à observância desses dias como feriados santos, mas aos sacrifícios especiais prescritos pela Lei.

Textos Em Que Se Confirma Tal Conclusão:

A) "Demoliu com violência o Seu tabernáculo, como se fosse uma horta; destruiu o lugar da Sua congregação; o SENHOR, em Sião, pôs em esquecimento as festas e o sábado e, na indignação da Sua ira, rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote." Lamentações 2:6. Essa passagem é relevante, pois torna claro que a abolição das festas e do sábado não se refere ao fim do descanso nesses dias e sim à cessação dos serviços do Templo; caso contrário, como poderia Deus fazer cessar a observância do sábado no contexto da invasão babilônica a Jerusalém? Que a menção ao esquecimento do sábado está relacionado às cerimônias do santuário, torna-se claro pela alusão à demolição do tabernáculo no início do verso.

B) "Farei cessar todo o seu gozo, as suas Festas de Lua Nova, os seus sábados e todas as suas solenidades." Oséias 2:11. Deus não pode estar dizendo que o sábado, como um dia da semana, deixaria de existir. Isso seria ilógico, pois implicaria no próprio fim do ciclo semanal. A referência não poderia ser também ao descanso sabático, pois mesmo que Deus determinasse sua cessação, as pessoas poderiam manter sua observância, impedindo, assim, a plena realização das palavras do profeta: "Farei cessar... os seus sábados.". A única interpretação racional para o verso é assumir que ele esteja aludindo à cessação dos holocaustos do Templo de Jerusalém, os quais era oferecidos nas datas sagradas do calendário religioso de Israel. Com a destruição do santuário israelita pelos exércitos da Babilônia, os sacrifícios deixaram de ser oferecidos e as cerimônias não mais eram realizadas, o que se encaixa perfeitamente com a idéia central da passagem em consideração.

C) "Estarão a cargo do príncipe os holocaustos, e as ofertas de manjares, e as libações, nas Festas da Lua Nova e nos sábados, em todas as festas fixas da casa de Israel; ele mesmo proverá a oferta pelo pecado, e a oferta de manjares, e o holocausto, e os sacrifícios pacíficos, para fazer expiação pela casa de Israel." Ezequiel 45:17. Comparando esse verso com Colossenses 2:16, nota-se que as ofertas de manjares (comida) e as libações (bebida) são mencionadas em ambos os textos. A expressão "dia de festa, lua nova e sábados" também aparece tanto no primeiro quanto no segundo texto. Já os holocaustos não constam do segundo texto (Colossenses). Isso não deve ser atribuído a um esquecimento da parte de Paulo. O que ocorre é que por sinédoque (e aqui se revela a importância do estudo das figuras de linguagem), a idéia de holocaustos está implícita na expressão "dia de festa, lua nova e sábados". Dessa forma, o autor fica livre para mencionar ou não os holocaustos, segundo sua conveniência. Simplificando, quando um leitor judeu, acostumado aos serviços do Templo, lia ou ouvia a frase "dia de festa, lua nova e sábados", imediatamente vinha à sua mente os sacrifícios especiais estipulados pela Lei de Moisés, os quais deveriam ser obrigatoriamente oferecidos naquelas datas.

D) "De que, trazendo os povos da terra no dia de sábado qualquer mercadoria e qualquer cereal para venderem, nada comprariam deles no sábado, nem no dia santificado; e de que, no ano sétimo, abririam mão da colheita e de toda e qualquer cobrança. Também sobre nós pusemos preceitos, impondo-nos cada ano a terça parte de um siclo para o serviço da casa do nosso Deus, e para os pães da proposição, e para a contínua oferta de manjares, e para o contínuo holocausto dos sábados e das Festas da Lua Nova, e para as festas fixas, e para as coisas sagradas, e para as ofertas pelo pecado, e para fazer expiação por Israel, e para toda a obra da casa do nosso Deus." Neemias 10:31-33. Talvez esse trecho do livro de Neemias seja o mais importante para o presente estudo, pois nele o sábado é mencionado sob 2 aspectos diferentes. No verso 31, a ênfase está na guarda do sábado como dia de repouso, já que os judeus se comprometeram a não comprar nada durante suas horas sagradas. O verso 33, por outro lado, também menciona o sábado, porém num contexto totalmente diverso. A referência é aos holocaustos das festas, das luas novas e dos sábados. Isso pode ser sintetizado da seguinte forma: enquanto a preocupação do verso 31 é a santificação do sétimo dia pela cessação de labor secular, a ênfase do verso 33 é puramente cerimonial, voltada para os sacrifícios especiais dos dias santos, oferecidos no recém reconstruído Templo de Jerusalém.

 

Resumo:

       Em resumo, o objetivo de Paulo em Colossenses 2:16 era mostrar a presente ineficácia dos holocaustos, das ofertas de manjares e das libações que eram oferecidos nos dias santificados, pois tais serviços cerimoniais eram apenas "sombra (prefiguração) das coisas que haviam de vir, porém o corpo (a realidade simbolizada pelos sacrifícios de animais) é de Cristo". Esse texto nada tem que ver com o repouso sabático. O fato de os "holocaustos" não serem mencionados explicitamente na passagem de Colossenses causa certa confusão no seu entendimento, mas eles devem ser subentendidos por metonímia.

       Isso quer dizer que as outras festas de Israel, tais como a Páscoa e o Pentecostes, também devem ser dias de descanso obrigatórios para os cristãos? É óbvio que não. O Sábado foi estabelecido quando Deus lançou os fundamentos da terra e foi dado a toda a humanidade. "O Sábado foi estabelecido por causa do homem", disse Jesus. Ver Marcos 2:27. O mesmo não se dá com as demais festividades do povo judeu, pois foram outorgadas à nação israelita por ocasião do Êxodo e de sua peregrinação no deserto. Ou seja, enquanto o Sábado, pela sua própria origem, possui caráter universal, as festas mensais e anuais dos judeus estavam restritas àquela nação. É por isso que, em Levítico 23:37 e 38, está escrito: "São estas as festas fixas do SENHOR, que proclamareis para santas convocações, para oferecer ao SENHOR oferta queimada, holocausto e oferta de manjares, sacrifício e libações, cada qual em seu dia próprio, além dos sábados do SENHOR, e das vossas dádivas, e de todos os vossos votos, e de todas as vossas ofertas voluntárias que dareis ao SENHOR.".

       Diante de todas essas evidências, torna-se claro que nunca passara pela cabeça de apóstolo atacar um mandamento que remonta à criação. Sua prática, como foi demonstrado no princípio deste estudo, revela seu profundo respeito pelo dia do Senhor. Doutra sorte, como ficariam as inspiradas palavras do profeta Isaías: "Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no Meu santo dia; mas se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no SENHOR. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do SENHOR o disse." Isaías 58:13 e 14?

 


PERGUNTA (02) :

"A respeito daqueles que serao condenado, eles serao ‘literalmente’ mortos, ou serao atormentado pelo seculos dos seculos ‘Apocalipse 21’, como a besta, o falso profeta, e a Lúcifer e seus anjos?" Walter.

       A doutrina do tormento eterno é uma heresia do Catolicismo, também ensinada pelo Protestantismo e que nada tem a ver com a doutrina bíblica. Não se harmoniza nem com o amor nem com a justiça de Deus. Ora, nenhuma pessoa de bom senso aceitará, como justa, uma sentença que condene alguém que tenha vivido 70 ou 80 anos em pecado a padecer por toda a eternidade. Tal teoria é uma invenção diabólica, atribuída levianamente a Deus pela Cristandade e cujo principal objetivo é afastar as pessoas dAquele "que amou ao mundo de tal maneira que deu Seu Filho Unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna" João 3:16.

       Segundo as Escrituras, realmente haverá um lago de fogo e enxofre. Porém, cada um sofrerá "segundo suas obras". Ver Jó 34:11; Salmos 28:4; 62:12; Provérbios 24:12; Isaías 59:18; Jeremias 17:10; 25:14; 32:19; 50:29; Lamentações 3:64; Oséias 12:2; Zacarias 1:6; Mateus 16:27; Romanos 2:6; 2 Timóteo 4:14; Apocalipse 2:23; 20:12 e 13; e 22:12. Percebe-se, pela quantidade de textos, que essa questão da proporcionalidade é bem enfatizada nas Escrituras! Destarte, quem recebeu maior luz e não a empregou bem, ou teve mais oportunidades e as desperdiçou, ou cometeu maior número de transgressões à Lei divina, receberá castigo mais intenso e por um período mais prolongado. Por outro lado, aquele que possuía menos conhecimento, teve menos oportunidades, ou incorreu em menor quantidade de faltas, há de sofrer menos e por um tempo bem menor. Isso está claramente delineado numa parábola contada por Jesus: "Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão." Lucas 12:47 e 48.

       É por isso mesmo que os infiéis à mensagem de Cristo serão considerados merecedores de maior severo juízo que os transgressores do Antigo Testamento, pois a luz que brilha do Novo Concerto é deveras superior à que brilhou durante a vigência da Antiga Aliança: "Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?" Hebreus 10:28 e 29.

       Respeitando esse princípio da proporcionalidade, assim Se expressou Jesus com respeito às cidades de Sodoma e Gomorra: "Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade." Mateus 10:15. Ver também Mateus 11:24 e Lucas 10:12. Ele Se refere a Tiro e a Sidom em termos semelhantes: Mateus 11:22 e Lucas 10:14. É importante notar que Jesus não isenta de culpa as pecaminosas cidades de Sodoma e Gomorra, mas, percebendo que elas receberam menos luz e menos oportunidades do que aquelas cidades que estavam sendo agraciadas pela Sua presença ou que seriam privilegiadas pela visita de Seus seguidores, proclamadores do Evangelho, claramente demonstrou que a punição final de Sodoma e Gomorra seria proporcionalmente menos severa. Isso também se aplica a Tiro e a Sidom.

       É devido ao princípio da proporcionalidade que Tiago aconselha: "Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo." Tiago 3:1. Aos olhos de Deus, os líderes religiosos são dignos de maior punição por sua desobediência que os meros liderados. É por isso que Jesus, ao repreender a conduta hipócrita dos escribas e fariseus de sua época, assim Se expressou: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas orações; por isso, sofrereis juízo muito mais severo!" Mateus 23:14. Ver também Marcos 12:40 e Lucas 20:47. Quão bom seria se os pastores e outros líderes espirituais atentassem melhor nessas advertências da Palavra de Deus! Quantos maus exemplos deixariam de ser vistos entre os guias religiosos da Cristandade! Uma doutrina errônea transmitida do púlpito ou uma má conduta de um pastor poderão levar muitas almas à perdição; e, Deus, desses falsos mestres, requererá o sangue de Suas ovelhas (Jeremias 13:20).

       Quanto à expressão "séculos dos séculos", encontrada em Apocalipse com referência ao castigo dos ímpios, faz-se necessário entender sua real significação. Ela é a tradução de uma expressão grega que literalmente significa "pelas eras das eras": eis tous aionas ton aionon. Essa expressão é relativa e pode significar tanto um longo período de tempo, que, no entanto, chegará ao fim, quanto toda a eternidade. O contexto revelará o seu real sentido: se essa expressão estiver associada a algo finito, sua abrangência também será limitada; se estiver ligada a algo que, por sua própria natureza, não tem fim, sua abrangência será ilimitada. Assim, quando se diz que Deus (ou Cristo) vive pelos séculos dos séculos (Apocalipse 1:6; 1:18; 4:9 e 10; 5:13; 7:12; 11:15; e 15:7), deve-se entender que Ele é eterno. Mas quando se diz que o tormento dos ímpios (ou o lago de fogo) durará pelos séculos dos séculos (Apocalipse 14:11; 19:3; 20:10; e 22:5), o sentido obrigatoriamente é que ele perdurará por um longo período, mas não para sempre. Isso se extrai de outros trechos das Escrituras:

1) "Pois acredito que ele veio a ser afastado de ti temporariamente, a fim de que o recebas para sempre." Filemom 15. Nessa passagem, de uma carta que Paulo escreveu a Filemom, senhor de um escravo chamado Onésimo, o qual havia fugido, percebe-se que a expressão "para sempre" é relativa e possui o sentido de "para sempre enquanto eles (Filemom ou Onésimo) vivessem".

2) Existe um outro exemplo, contido na carta de Judas, que é um dos mais claros acerca desse assunto, pois nele a palavra "eterno" aparece associada a fogo: "Como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição." Judas 7. Esse texto é relevante porque diz que Sodoma e Gomorra sofreram a pena do fogo eterno. Ora, é claro que essas 2 ímpias cidades não estão queimando até hoje, pois, consoante II Pedro 2:6, elas foram reduzidas a cinzas. Mas por que então se diz que o fogo é eterno? Resposta: porque, de fato, ele é eterno. Mas o fogo é que é eterno, não seu combustível; em outras palavras, enquanto houvesse combustível para queimar, o fogo não se apagaria. É nesse sentido que ele é eterno.

       Por fim, existem ainda 2 outras passagens bíblicas relevantes sobre o tema:

       "Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo. Mas para vós outros que temeis o Meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas; saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria. Pisareis os perversos, porque se farão cinzas debaixo das plantas de vossos pés, naquele dia que prepararei, diz o SENHOR dos Exércitos." Malaquias 4:1-3. Maior clareza impossível! Os ímpio se transformarão em cinzas; não queimarão eternamente.

       "Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu." Apocalipse 20:9. Aí está o verdadeiro ensino das Escrituras! O próprio livro do Apocalipse informa que os ímpios serão consumidos. Por conseguinte, não queimarão pelos séculos sem fim da eternidade!

 

Conclusão :

       Para afastar os seres humanos de seu Criador, Satanás introduziu no meio cristão a pseudo-doutrina do tormento eterno. Por causa desse repugnante ensino, milhares de pessoas têm considerado Deus como um tirano insensato, destituído de qualquer interesse sincero pela humanidade; e, como conseqüência, não poucos têm abandonado a fé cristã para se unir aos escarnecedores do Evangelho. Mas, segundo as Escrituras, esse ensino não passa de uma calúnia contra o amorável caráter de Deus. Por certo que haverá uma punição, pois, caso contrário, o Universo inteiro cairia em desordem. Mas, ninguém, nem mesmo Satanás, queimará por toda a eternidade. Cada um receberá " segundo suas obras". O castigo eterno, da maneira como é pregado, não se coaduna com o amor de Deus; e Ele já proveu evidência suficiente de Seu amor pelos seres humanos, quando entregou Jesus para ser crucificado. Maior prova de amor não existe! Que esse sacrifício possa iluminar os corações obscurecidos e que muitas almas possam aceitar o incomensurável amor do Redentor!

 


PERGUNTA (03) :

Minha Dúvida é em relação a uma citação da qual vocês fizeram em seus estudos na qual afirmam ser o arcanjo Miguel = JESUS; como poderia ser, se na passagem de Judas diz: "Mas, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: O Senhor te repreenda" (Bíblia de Referência Thompson), como sendo Ele ‘JESUS’ o filho do DEUS altíssimo, através do qual todas as coisas foram feitas por intermédio dEle... como então poderia sendo o próprio DEUS encarnado não ousar contra Satanás, tendo ele autoridade nos céus, acima dos céus, na terra e embaixo da terra sobre tudo e todos, sobre a morte, inferno, TUDO mas TUDO mesmo... Mac.

   

       O único ser chamado de "arcanjo" em toda a Bíblia é Miguel (Judas 9). Esse nome significa "o primeiro anjo" ou "o chefe dos anjos". Segundo I Tessalonicenses 4:16, os mortos em Cristo ressuscitarão pela voz do arcanjo. Mas, em João 5:25, 28 e 29, declara-se que os mortos tornarão à vida pela voz do Filho do Homem, o que claramente se refere a Jesus. Destarte, Jesus é igualado à figura do arcanjo e, indiretamente, à pessoa de Miguel. Segue-se, portanto, que Miguel é um outro nome de Cristo.

       É importante salientar também que, em diversos momentos, no Antigo Testamento, o "Anjo do Senhor" é identificado como sendo o próprio Senhor. Em Oséias 12:4, diz-se que Jacó "lutou com o anjo e prevaleceu". Mas em Gênesis 32:30, esse "Anjo" é igualado ao próprio Deus, pois assim falou Jacó: "Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva.". Foi naquela noite que Jacó recebeu o nome de Israel, pois disse o "Anjo": "Já não te chamarás Jacó, e, sim, Israel; pois como príncipe lutaste contra Deus e com os homens, e prevaleceste." Gênesis 32:28. Em Êxodo 3:2, o Ser que apareceu a Moisés, no meio de uma sarça que ardia, mas que não se consumia, é chamado de "Anjo do Senhor", embora os versos seguintes de Êxodo 3 façam referência a Ele como sendo o próprio "Eu Sou", "o Deus de Abraão, Isaque e Jacó". Em todas essas ocorrências, a referência é a Cristo e não ao Pai, pois segundo João 1:18: "Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é Quem o revelou.".

       Em Josué 5:13-15, consta o relato da manifestação do "Príncipe do Exército do Senhor" ("arcanjo") ao líder hebreu. Conforme o texto, Josué se prostrou diante do "Anjo" e O adorou, reconhecendo-O como "Senhor". Depois foi dada a ordem a Josué, a mesma dada a Moisés uns 40 anos antes, para que tirasse as sandálias dos pés, pois aquele lugar era terra santa. Comparando-se essa passagem com Apocalipse 12:7-9, em que Miguel aparece como líder dos anjos celestiais; com Daniel 8:11, em que se faz alusão a um ataque ao "Príncipe do exército"; com Daniel 8:25, em que esse "Príncipe do exército" é chamado de "Príncipe dos Príncipes"; com Daniel 9:26 e 11:22, em que se menciona uma agressão direta ao "Ungido", que é chamado também de "Príncipe da aliança" (alusão inequívoca a Jesus); e com Daniel 10:13 e 21 e 12:1, em que Miguel é chamado de "um dos primeiros príncipes", "vosso príncipe" e "o defensor dos filhos do teu povo", fica evidente que Miguel não é outra pessoa senão o mesmo Senhor Jesus.

       Deve-se atentar ainda para o fato de que em Daniel 12:1, a manifestação de Miguel nos últimos dias (ver também Daniel 11:40-45) aparece intimamente associada a uma grande tribulação, o mesmo que é referido em Mateus 24:29-31 e Marcos 13:24-27 concernente a Jesus.

       Por essas e outras evidências, está muito bem fundamentada a posição de que Miguel é deveras um outro nome para o Senhor Jesus.

A Dúvida :

       Se é assim, como pode ser entendida a afirmação de Judas 9 de que Miguel não se atreveu a proferir juízo de condenação contra o diabo, antes preferiu dizer: "o Senhor te repreenda"? Não seria Jesus o Deus Altíssimo, um com o Pai e o Espírito Santo?

       O questionamento do internauta é pertinente e merece uma resposta à altura. Em divindade e em atributos, o Pai e o Filho são um; o Pai não é maior que o Filho, nem o Filho está acima de Seu Pai. Mas, em função, é evidente que há uma hierarquia, estando Jesus subordinado a Deus Pai. Em razão disso, pode Cristo proclamar Sua igualdade com Deus ("Eu e o Pai somos um." João 10:30) e Sua subordinação a Ele ("O Pai é maior do que Eu." João 14:28). Paulo retratou essa mesma realidade em I Coríntios 11:3: "Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.". Percebe-se nesse texto, 3 graus de subordinação: Deus é o cabeça de Cristo; Cristo é o cabeça do homem; e o homem é o cabeça da mulher. Analisemos cada caso, porém em ordem inversa:

1) Homem – Mulher: é lógico que o homem e a mulher são iguais perante Deus por natureza, pois ambos pertencem à raça humana. Os direitos naturais de um são os mesmos que do outro. Paulo mesmo reconhece que "nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher. Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher; e tudo vem de Deus." I Coríntios 11:11 e 12. E na carta aos Gálatas, ele afirma que "não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus." (3:28). No entanto, isso não destrói a determinação bíblica de que o homem seja superior à mulher em função: "A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio. Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Todavia, será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanecer em fé, e amor, e santificação, com bom senso." 1 Timóteo 2:11-15.

2) Cristo – Homem: depois de Sua encarnação, Cristo Se tornou um com a humanidade. Como homem, Ele é igual a qualquer um de nós. É por isso que "Ele não Se envergonha de lhes chamar irmãos", pois "convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos." Hebreus 2:11 e 17. No entanto, como "Segundo Adão", Ele possui a preeminência, sendo, em função (dentro do aspecto humano), superior a qualquer um dos filhos dos homens: "Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos." Romanos 8:29.

3) Deus – Cristo: o mesmo raciocínio desenvolvido nos itens anteriores pode ser aplicado aqui. Por natureza, o Pai e o Filho são iguais, o que permite às Escrituras colocarem as 3 pessoas da Trindade no mesmo nível. Ver Mateus 28:19 e II Coríntios 13:13. Contudo, quando o aspecto funcional é enfocado, percebe-se que o Pai é superior ao Filho. Por isso é que o próprio Jesus O chama de " Meu Pai" e "Meu Deus". Ver João 20:17.

       Tendo essas considerações em mente, não é sem razão que Jesus preferisse não entrar em discussão com Satanás, mas apelasse ao Seu Pai, o Supremo Juiz do Universo (Daniel 7:9, 10 e 13; 1 Pedro 2:23). É nessa perspectiva que pode ser vista a declaração de Judas 9.

Conclusão:

       Não há nada nas Escrituras que contrarie a posição que vê em Miguel ninguém menos que o próprio Filho Amado de Deus. Esse entendimento está em perfeita harmonia com o ensino bíblico-cristão da Santíssima Trindade e pode ser firmemente confirmado quando são aplicados os bons e seguros princípios da Hermenêutica.

 


PERGUNTA (04) :

Mas você notou! que a pedra fere a estátua nos dias destes Reis que é os dedos da figura e que não volta para o céu, mas faz um grande monte e enche toda a terra, que exatamente aqui começa o milênio, e como fica então os mil anos no céu? Eletrosat.

       Daniel 2 constitui um esboço inicial da história da humanidade durante os últimos 2.500 anos. Sua precisão é tão fantástica que tem conduzido muitos incrédulos a Cristo e à Sua verdade. No entanto, como foi dito, Daniel 2 é apenas um esboço inicial, o qual é ampliado nas profecias paralelas dos capítulos 7, 8 e 11. Ademais, as próprias profecias de Daniel são ampliadas pelas revelações de Apocalipse, outro livro profético da Bíblia; por isso, recomenda-se o estudo concatenado de ambos.

    De fato, deve-se reconhecer que o sonho de Nabucodonosor e sua interpretação conduzem ao pensamento, enganoso, de que o reino de Deus seria imediatamente estabelecido na terra por ocasião da segunda vinda de Cristo, pois a pedra que fere os pés da estátua e a destrói se transforma numa grande montanha, cobrindo o mundo todo (Daniel 2:34, 35, 44 e 45).

    O que o leitor precisa perceber é que Daniel 2, por se tratar apenas de uma rápida delineação dos acontecimentos futuros, não revela todos os detalhes dos mesmos. Por exemplo, o terceiro reino (quadris e coxas de bronze – Grécia) aparece no capítulo 7 sob o símbolo de um leopardo com 4 cabeças e no capítulo 8 sob a figura de um bode com um grande chifre entre os olhos, que posteriormente se quebra em 4 outros chifres. Tanto as 4 cabeças do leopardo quanto os 4 chifres do bode representam os 4 reinos que surgiram com a desintegração do grande Império Macedônico. Contudo, nada disso é referido em Daniel 2, em que somente se apresenta um terceiro reino, de bronze, recebendo domínio sobre toda a terra. Outro fato interessante está na omissão, em Daniel 7, de um rei poderoso governando o Império Grego, o qual, contudo, é apresentado em Daniel 8. Assim, mediante esses exemplos, confirma-se que nem todos os detalhes são revelados em Daniel 2. Pretendendo-se obter uma idéia completa dos acontecimentos vindouros, deve-se recorrer a outras partes das Escrituras.

    Em João 14:1-3, Jesus promete receber Seus servos para Si mesmo quando retornar: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando Eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também.". Em I Tessalonicenses 4:16 e 17, leciona o apóstolo Paulo: "Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.". Noutro lugar, ensina o apóstolo Paulo: "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo." Filipenses 3:20. De que pátria estaria falando Paulo? A resposta pode ser encontrada em Hebreus 11:14 e 16: "Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria." "Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não Se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade.". Essas passagens falam de uma cidade, cujos fundamentos são eternos e cujo planejamento e construção foram realizados pelo próprio Deus (Hebreus 11:10). Ao idoso apóstolo João foi permitido contemplar algo dessa deslumbrante cidade. Ele a menciona como que descendo do céu para a terra: "Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo." "Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro; e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, a qual tem a glória de Deus. O seu fulgor era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina." Apocalipse 21:2 e 9-11.

    Quando descerá essa cidade à terra? Não poderia ser por ocasião do retorno glorioso de Jesus, pois então não faria nenhum sentido a declaração de I Tessalonicenses 4:16 e 17 de que os justos serão arrebatados entre nuvens para encontrar o Senhor nos ares. Essa mudança na localização da Cidade Santa só poderia ocorrer ao final dos 1.000 anos descritos em Apocalipse 20. Por isso é que a Nova Jerusalém só é mencionada nesse capítulo após a libertação de Satanás: "Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu." Apocalipse 20:7-9.

Resumindo:

    O regresso de Jesus será para resgatar Seu povo fiel e redimido. Durante 1.000 anos, Cristo e os santos permanecerão no céu, ao fim dos quais a Cidade Eterna descerá para a terra. Satanás tentará tomá-la, com o apoio de todos os ímpios ressurrectos. Descerá fogo do céu e os destruirá. Então esse fogo purificará a terra e Jesus fará novos céus e nova terra, nos quais habitará justiça eternamente. Somente após esse processo será estabelecido definitivamente o reino de Deus na terra.

    A omissão desses detalhes em Daniel 2 não é para causar nenhuma estranheza. Isso também acontece em outros relatos. Por exemplo, Marcos 16 deixa a impressão de que Jesus ascendeu ao Céu no mesmo dia em que ressuscitou. No entanto, em Atos 1:3, o leitor é informado de que entre a ressurreição e a ascensão de Cristo, passaram-se 40 dias. Não há equívoco algum em Marcos 16. Simplesmente o quadro que ele apresenta precisa ser detalhado por outras passagens. O mesmo se dá com Daniel 2.

Conclusão:

    Quando regressar, Jesus não irá estabelecer Seu reino imediatamente aqui na terra; primeiramente, Seus escolhidos serão conduzidos para a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, onde viverão e reinarão por 1.000 anos. Somente ao término desse período, o reino de Deus será, de fato, estabelecido sobre a terra. Isso está em perfeita harmonia com a profecia de Daniel 2 e com outras declarações escriturísticas sobre o assunto.